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De Freamunde se diz ser uma terra de Cultura, Trabalho e Paz. Se paz ainda vamos tendo por cá (quanto mais não seja um clima de quietismo), trabalho é coisa que começa a escassear, enquanto que a Cultura já viveu melhores dias.É precisamente sobre Cultura que se quer falar.
Cultura pode ser definida como tudo aquilo que sobressai da mera luta pela sobrevivência; é tudo aquilo que é produto do pensamento do Homem, o modo como evoluímos socialmente, a forma como encaramos os desafios que o progresso nos coloca.
Por cá, sempre que se fala em Cultura, vem quase de imediato à mente o GTF, a Banda, os Pedaços de Nós… Há uns tempos, tivemos o privilégio de ter, na Associação de Socorros Mútuos, uma actriz conceituada no nosso país (Maria do Céu Guerra), ao mesmo tempo que em Gondomar os Pedaços de Nós representavam a nossa terra num certame teatral. Junte-se a tudo isto as recentes encenações do GTF, as actuações da Big Band e das Castanholas, algumas apresentações de livros, e temos uma actividade cultural bastante acentuada.
Concluindo, nenhum freamundense, creio, se poderá queixar de falta de oferta relativamente à cultura.
No entanto, persiste um problema: a fala de condições.
A histórica casa da Associação de Socorros Mútuos nunca fora pensada como um teatro e se hoje tem as condições que apresenta em muito se deve ao esforço e dedicação do GTF. Arrisco mesmo dizer que se não fosse a coragem e empenho deste grupo, hoje não teríamos teatro em Freamunde, pelo simples motivo de não existirem as condições mínimas imprescindíveis para tal.
Outras terras, como a nossa vizinha, têm, a priori, melhores condições e o seu índice cultural, comparando com a produção da nossa pequena terra, é nula.
Em suma, em Freamunde sobra de vontade, dedicação e amor o que nos falta em condições.
Sempre que passo junto ao ciclo e vejo a placa alusiva à futura Casa da Música, não consigo ficar indiferente ao pensamento de que muitos dos problemas estruturais das associações freamundenses ficariam resolvidos. No entanto, o impasse continua e, ano após ano, as promessas dão lugar a desilusões e sentimentos menos próprios e salutares…
Será que numa terra com (pelo menos) dois (bons) grupos de teatro, em constante produção, não se consegue um espaço capaz de proporcionar comodidade ao espectador e aos actores?
É verdade que temos ainda o auditório da Casa da Cultura, nos últimos anos mais casa da junta que outra coisa qualquer. Mas será esse espaço suficiente? Não é.
Procuram-se soluções.
Ainda no capítulo da Cultura, é triste que nunca por cá tenha havido uma livraria a sério. Bem sei, no contexto actual – e perante a triste realidade do nosso (fantasmagórico) comércio – uma livraria seria um risco à partida condenado ao fracasso, contudo, será que não faria sentido?
Na impossibilidade de tal aventura, impunha-se um investimento mais sério na nossa biblioteca, cada vez mais remetida aos fantasmas da literatura… Urge a recuperação e, - porque não! – divulgação daquele espaço. Tenho a certeza que muitos freamundenses desconhecem que têm aquele espaço ao seu dispor. Por certo tal só será possível com a saída da Junta daquele espaço (para onde, aliás, nunca deveria ter ido! Cultura e politica dificilmente convivem!).
É imprescindível a actualização dos livros da biblioteca, o aparecimento de mais actividades decorrentes nesse espaço e a correcta divulgação das mesmas.
Sem Cultura não seremos mais que autómatos em direcção a um futuro sombrio e fantasmagórico. Numa época em que o termo crise é amplamente usado e em que se questionam todos os valores, urge proporcionar formas de ampliação do conhecimento, urge levar a cultura até aos cidadãos.
É bem pertinente esta questão dos nossos espaços culturais, mas ainda mais pertinente será pensar que dificilmente teremos tudo o que gostaríamos de ter.
Faz falta realmente a Freamunde um auditório moderno e funcional apto a receber manifestações artísticas. O velhinho auditório da Associação de Socorros Mútuos ainda é o melhor que há, isto apesar de ser o mais antigo, o que nos deveria preocupar com os cuidados que devemos ter ao investir num qualquer novo equipamento.O Auditório da Casa da Cultura foi concebido, para palestras, conferencias, com uma lotação moderada, mas não para grandes performances artísticas.
O salão paroquial padece de várias deficiências e ponha-se o acento tónico na questão da segurança que se houver lá algum problema podemos ter uma tragédia.
Quanto à futura "Casa da Música" a pergunta que deixava, já que desconheço, é a sua lotação, porque apesar de tudo se for demasiado grande arrisca-se a parecer os estádios portugueses. Aliás meçam-se as manias das grandezas até no nosso estádio para se pensar porque raio temos o espaço para uma pista?
A biblioteca também é uma questão pertinente. O que temos actualmente é uma sala de leitura da Biblioteca de Paços de Ferreira. E não sei se se justifica outra coisa, porque: Por um lado ela está instalada num equipamento que foi concebido para espaço de exposições e não de Biblioteca, e como tal não tem as condições mínimas necessárias para uma Biblioteca.
Por outro lado, para ser uma Biblioteca digna desse nome necessitaria de uma acervo mais "robusto", que também questiono a sua importância para Freamunde. Mas se fossemos por esse campo, tenho a ideia que o Dr. José Carlos Vasconcelos chegou a doar um bom acervo que não sei aonde estará, como também existe um património muito valioso na Associação de Socorros Mútuos que podia ser posto à disposição da população em troca de umas instalações condignas para o albergar.
De qualquer maneira, quanto à importância de uma Biblioteca em Freamunde sou um bocadinho cínico e digo-o apesar de ser um Bibliófilo incorrigível.
Posto isto, não creio que vamos ter tudo o que gostávamos de ter, no entanto está para breve um museu do do mobiliário escolar para o actual posto da GNR.
As perguntas que deixo são as seguintes:
-Será o Museu o equipamento cultural que mais falta nos faz actualmente? E a sua dimensão será a adequada?
-E para ter-mos equipamentos culturais em Freamunde, vamos ficar sempre à espera da Câmara ou do Estado? Não poderão nascer alguns da iniciativa privada, ou de uma iniciativa pública-privada através de uma fundação ou algo semelhante?
Num ano crucial de eleições autárquicas este blogue, Revolta dos Capões, masturba-se à pala dos dilemas culturais.
Num ano histórico de crise económica, social e política a preocupação recai sobre a cultura, que sendo alimento do espírito, não possui nenhuma sustância para o corpo, e sem este o espírito não existe.
Os problemas de Freamunde não são culturais. A cultura é muito bonita com a barriga cheia, condição de satisfação física que permite engrossar com arrotos o ruído dos aplausos nos eventos consagrados a essa senhora.
Em Freamunde há um conceito de cultura sui generis: um borrão de tinta, um calhau ou um tronco de madeira com umas cinzeladas e umas goivadas é arte; um conjunto aleatório de palavras enrimadas umas por cima das outras é poesia; uma redacção sobre a presumível infelicidade da Maria que viu o Manuel, seu primeiro amor, trocá-la pela sirigaita da Rosa é literatura; enfim, qualquer coisa que se faça fora das confecções, da metalurgia e dos móveis é cultura. Trabalho profissional para viver não é cultura.
Isto é a inversão total dos valores.
A história da Humanidade começa quando o macaco que éramos há uns milhares de anos inventou alguns instrumentos e através da sua utilização inventou o trabalho. A primeira cultura é o trabalho. É esta cultura primitiva que temos de desenvolver em Freamunde procurando todas as soluções para o progresso da economia local.
No sistema capitalista em vigor, é norma ser a iniciativa privada, o ícone do sistema, a resolver a implementação das unidades económicas, geradoras de emprego e riqueza. Esta treta era vociferada no máximo dos decibéis audíveis até há pouco tempo atrás. Os resultados deste sistema económico e social estão à vista com a falência das empresas, o desemprego galopante o agravamento dos impostos e intensificação das multas, o desvio do erário público para cobertura dos desfalques da banca. Perante este quadro, impossível não concluir que o sistema é da gatunagem e de quem a apoia. Os regimes, mesmo os mais corruptos têm sempre pelotões de lacaios a apoiá-los.
Perante esta situação, que fazer em Freamunde?
1º Passo: constituir uma lista de cidadãos honestos, democratas praticantes, para concorrer à Junta nas próximas eleições autárquicas, independente dos partidos, que tome em mãos a tarefa de unir todos os freamundenses em torno dos interesses sociais globais, gerando uma dinâmica de progresso que vença a estagnação actual;
2º Passo: mobilizar todos os meios materiais e humanos no apoio a esta candidatura;
3º Passo: a bem de Freamunde actual e das gerações futuras, fazer o possível e o impossível para desterrar a actual Junta para fora do sistema solar, única forma de garantir a tranquilidade e dar possibilidades ao renascimento da esperança e do progresso nesta terra.
Depois disto feito, estão criadas as condições ideais para nos sentarmos todos à mesa a tratar, tranquila e com toda a nossa inteligência e conhecimentos, os dilemas da cultura.
"1º Passo: constituir uma lista de cidadãos honestos, democratas praticantes, para concorrer à Junta nas próximas eleições autárquicas, independente dos partidos, que tome em mãos a tarefa de unir todos os freamundenses em torno dos interesses sociais globais, gerando uma dinâmica de progresso que vença a estagnação actual;"
Concorde ou não com as suas opiniões, o primeiro passo ainda antes da constituição da lista, e porque uma lista é constituída por nomes, é as pessoas subscreverem as opiniões que defendem.
Pois caso contrario, uma opinião bem construída como esta (e que realmente não é propriamente o meu ponto de vista) infelizmente perde muito do seu valor.
Teoria
"Teoria, do grego θεωρία , é o conhecimento especulativo, puramente racional. O substantivo theoría significa ação de contemplar, olhar, examinar, especular[1] e também vista ou espetáculo[2]. Também pode ser entendido como forma de pensar e entender algum fenômeno a partir da observação. Na Grécia antiga teoria significava "festa solene, procissão ou embaixada que as cidades helênicas enviavam para representá-las nos jogos olímpicos ou para consultar os oráculos". O termo é aplicado a diversas áreas do conhecimento, sendo que em cada área possui uma definição específica." in Wikipédia.
Dito isto proponho um exercicio...
orçamento 500k
validade 4anos
projectos prioritários: ?
despesas obrigatórias: ?(aproveitem o resumo q a jff disponibiliza em ...http://www.jf-freamunde.pt/pages/display/contasdegerencia)
ps: excluir investimento privado, pois esse em Freamunde quase não existe (basta ver o número de terrenos de senhores de "bem" que estão abandonados à espera que lhe passe uma estrada a meio e que alguem os queira comprar). incluir possiveis verbas comunitárias(e ter a noção que nem tudo o que se pede...se obtem. bem pelo contrário)
em breve apresento a minha proposta de orçamento, mas entretanto aguardo pela participação de todos.
A observação do Nuno Leão é perspicaz sobre a opinião anónima, estou inteiramente de acordo consigo, sempre carimbei as minhas opiniões, mas teria sido bom que o Nuno, antes de me atirar a flecha envenenada, constatasse que o comentário que produzi foi publicado num blogue de autor anónimo. Antes de virar o arco na minha direcção, terá que o apontar à paternidade incógnita do blogue.
Sobre a constituição de uma lista independente, considero que deve merecer a atenção de todos os eleitores, face à falência partidária. Com partidos, ou sem partidos, Freamunde tem de continuar o seu percurso histórico. O oportunismo dos políticos, o egoísmo pessoal que se sobrepõe ao bem colectivo é evidência que até por um olho cego de vidro é vista. Impõe-se, por isso, ultrapassar rapidamente os partidos que na degradação actual do capitalismo se transformaram em casas mafiosas, sedes de toda a podridão que decompõe o Estado e a sociedade em geral.
O povo terá de escolher entre ser ele próprio a conduzir o seu destino, ou deixar-se guiar como parelha bois, atrelar-se a uma carroça como um burro, submeter-se a uma Junta que ainda vê o chão de cima de uma árvore.
Produzir civilização impõe sacrifício e dá muito trabalho de borla. Ninguém quer.
A hipotética lista independente só terá interesse se estiver disposta a produzir civilização.
:D Atirei a pedra intencionalmente com uma razão. Não estou a defender o uso do próprio nome, mas um simples pseudónimo dá pelo menos para identificar alguém e as suas ideias, dando-lhe alguma continuidade em vez de comentários que se tornam avulsos e confusos. P.Ex. já aqui temos dois anónimos com opiniões distintas, e ainda por cima interessantes e antagónicas, o que vai fazer prolongar o debate.
Freamunde tem realmente problemas vários e urgentes, mas infelizmente não é a Junta que os vai resolver porque a grande maioria deles está além das suas competências e possibilidades. A única coisa que pode fazer é alguma pressão politica mas mesmo assim condenada na maior parte das vezes ao fracasso. Sejamos realistas, se estamos à espera que seja a Junta a dar a solução que precisamos...
Precisamos sim é de uma postura mais pró-activa, mais construtiva. Já aqui se criticou a falta de iniciativa privada, ou melhor a falta dela, principalmente por aqueles que até têm maiores responsabilidades nesses campos, mas esse apesar de tudo é o caminho a seguir e o caminho que outrora afamou Freamunde.
Agora, cada qual deve colaborar no que de melhor sabe fazer e gosta, colaborando não para o desenvolvimento de Freamunde em si, mas para o desenvolvimento mais amplo da nossa sociedade, que num primeiro reflexo acaba por beneficiar todos os freamundenses.
Aos donos deste blogue faço um apelo: que de ora em diante e até ao rescaldo das eleições, ponham a sua página principal à disposição pública para se fazer o debate político e de ideias sobre Freamunde sem restrições nem censuras. A verdade da nossa terra precisa ser destapada. As vozes necessitam ser ouvidas. As palavras não podem continuar a cair ao chão. É urgente e imperioso reinventar Freamunde!
Amigo, esta página esteve sempre ao seu dispor para falar de tudo e mais alguma coisa relacionada com Freamunde. nunca houve selecção de comentários. Disponha
já q a revolta vai mudar, peo menos de aspecto , aqui vai uma sugestão q n é mais q a repetição do q disse o nuno leao ... aceitem comentários só assinados, n quer dizer q seja o nome proprio, pois isso n interessa, mas com um nome para que n sejam sempre anonimos
Em honra à verdade, a primeira vez que me agasalhei no anonimato, e agora num pseudónimo, foi na blogosfera. Um dia irei explicar as razões, por agora vamos continuar assim. Na realidade, uma identidade qualquer permite estabelecer um nexo entre as diversas intervenções, tornando mais coerente o debate quando há lugar a tal.
Situações particulares e profissionais encurtam-me o tempo de tal maneira que já pensei perguntar ao Stephen Hawking se ocorreu algum fenómeno físico de contracção do tempo universal. Não obstante a escassez de horas e minutos que restringem a minha participação noutras actividades, entendo que um debate na imprensa e na blogosfera é diferente de um debate entre pessoas ao vivo. No primeiro caso, deve haver um intervalo entre respostas que faculte uma reflexão mais funda dos temas e amplie a sua divulgação. O seu atropelo, na ligeireza da resposta, afoga o seu interesse e desvaloriza o seu conteúdo. A pressa que contamina a sociedade actual provoca um grande abatimento na qualidade da vivência social. A vertigem da velocidade é apenas uma vertigem.
Passemos agora à inevitável Junta. Diz o Nuno Leão que a maioria dos problemas de Freamunde está para além da competência do executivo autárquico. Não é bem assim. Se dermos uma vista de olhos pela Lei nº 169/99, verificamos que a Junta tem muitos e diversificados poderes. Se for competente e dinâmica influencia, decisivamente, todo o desenvolvimento local. O problema está, concretamente, na competência, na vitalidade de acção e no seu relacionamento com o povo. Tudo qualidades que escapam à Junta e que ela nem sabe que existem.
Dada a sua inutilidade total, o executivo é uma despesa perdida e um estorvo que não deixa Freamunde andar para a frente. Se fosse só isto, conquanto o prejuízo não seja de somenos importância, aguentava-se até que o povo lhe desse guia de marcha para se ir embora, o pior é que a sua nefasta acção tem profundos reflexos no futuro pela inutilização do espaço necessário à construção de uma cidade. Como é notório, a Junta não tem capacidade, sequer, para riscar uma plantação de batatas, ora nós sabemos que ela tem riscado artérias com a irregularidade da sua mão trémula, ao acaso, ou sob interesses que anulam as condições anteriores. Satisfeita com os estragos por serem do agrado do patrão (Câmara Municipal de Paços de Ferreira), a quem engraxa os sapatos e faz todos os recados, sente a felicidade do cachorro que tem permissão dono para o lamber. É esta desgraça que temos em cima de nós.
É por isso, que “antes de colaborarmos para o desenvolvimento mais amplo da nossa sociedade” temos que nos unir na criação de uma força popular que some ideias, projectos e vontades que transformem Freamunde no sonho realizado de cada um de nós.
Hoje, ao deambular pela “Revolta dos Capões”, deparei com um apelo no sentido deste blogue abrir a sua página principal à disposição pública para se fazer o debate político. Em resposta a “Revolta” diz que “esta página esteve sempre ao seu dispor… nunca houve selecção de comentários”.
A meu ver, uma coisa não bate certo com a outra. Para clarificar esta situação, consideremos que este blogue tem duas páginas. A primeira página é aquela onde é apresentada a temática do blogue; a segunda é a página dos comentários. Se bem entendi, o apelo era feito no sentido do blogue facultar intervenções temáticas na sua primeira página e não na página dos comentários, que a lógica subordina à página temática.
Como é normal e legítimo, a “Revolta” tem a sua orientação própria. O que ficou por esclarecer é se é política do blogue que a página temática seja de sua exclusiva responsabilidade ou se são permitidas outras intervenções. Foi isto, a meu ver, que não ficou esclarecido e que seria útil esclarecer.
Amigo 6 de Maio,
Há tempos, quando o blog estava completamente adormecido, lançamos um repto para que nos enviassem todo e qualquer tipo de artigos, notícias, opiniões que pensassem ser benéficas para Freamunde. Infelizmente recebemos como resposta o silêncio...
Este espaço está aberto às suas opiniões, caso as queira enviar para o nosso email. Aparecerão neste blog, devidamente identificadas com o nome que nos indicar (pessoal ou pseudónimo, apenas algo que distinga o seu artigo dos da Revolta).